terça-feira, 26 de maio de 2009

APOCALIPE-SE

Recebo os sinais da virgem.
As suas dores, as suas contrações e os seus medos.
Vejo se levantar o anjo que anuncia, espada em punho, a morte do não nascido.
Sinto o calor da espada que parece saída do fogo do inferno.
No fundo de seus olhos posso ver a dor que o faz ser mensageiro de Deus.
Sinto o seu corpo sobre o meu corpo e vejo que ele sangra.
Incestuoso e profano é o seu beijo,
a sua lingua entre meus lábios
e a sua mão que se entrelaça à minha.
Tenho dores ao sentir dentro de mim
o que agora chama de louco.
Vejo se erguer a sua espada flamejante e
a sinto penetrar em meu ventre,
arrancando de mim o que não deveria nascer.
Neste instante, ele grita e monta em seu cavalo
que se funde ao seu corpo.
Sobrevoa minha cama, cura minha ferida
e parte levando consigo o que agora
chama de filho de Deus.

7 comentários:

paula barros disse...

Eu vim ler seu blog. Li sua definição do quem sou eu. Fantástica.

Estou cansada, e voltarei. Me deu vontade de imprimir seus contos para ler com calma, de preferência deitada antes de dormir.

Não entendo de literatura, entendo do que gosto de ler, da narrativa que prende a atenção, que dá vontade de mais. E me senti assim.

Dauri Batisti disse...

Misterioso apocalipe-se. Tensas imagens de vida e morte, homens e divinos seres. Enfim, uma alma desfazendo-se e refazendo-se.

Abraço.

Ígor Andrade disse...

Agradeço a visita!
Gostei do seu espaço!
Volte sempre, amigo.
Abraço!

Cais dos devaneios disse...

Algo do tipo Apocalipse-se e nunca mais venha "big banguear-se" em meu universozinho sofrido q ja tem mais crateras do que a lua... rs

Otavio de Castro disse...

a palavra Apocalipse me dava arrepeios, mais Apocalipe-se, adorei ....

Fernando Rozano disse...

tua escrita sempre fascinante e densa. gosto demais, por outros universos se abrem atravé e por ela. (sinto-me honrado com teu convite. e,naturalmente, aceito.)
grande abraço.

Oliver Pickwick disse...

A vitória do Príncipe do Ar? Ou, a de Miguel, o arcanjo; aquele que é como Deus?
Realmente, enigmático.
Um abraço!