segunda-feira, 16 de junho de 2008

Hello, stranger!

Pudesse escrever sobre Nietzsche e sua loucura.
Pudesse escrever sobre Goya e seu "Saturno devorando um filho'.
Pudesse escrever em versos sobre a pessoa de Pessoa, sua pátria e sua língua.
Quem sabe, pudesse citar Clarice e te pedir que me desse sua mão para que eu lhe mostrasse como se faz para adentrar meu mundo.
Quem sabe, ousasse falar de Garcia e quisesse lhe contar o que tenho feito nos meus "Cem anos de solidão".
Mas, hoje, estou mais sarcástico, dramático, cinematográfico, diria.
Prefiro lembrar Jude Law, em "Closer", e dizer que sou o seu estranho.
Prefiro pensar em "A.I." e te pedir que me torne real.
Prefiro correr como Forrest e atravessar fronteiras pra te encontrar.
Quem sabe, da loucura me venha a lucidez.
Quem sabe, da poesia me venha a inspiração.
Quem sabe, de hollywood me venha o sonho.
Quem sabe, numa esquina, num vago segundo, me venha você.

domingo, 8 de junho de 2008

Vôos

Você me disse que tinha asas
e eu te deixei voar.
Você me disse que tinha casa
e eu te deixei mudar.
Você me disse que tinha um navio
e eu te deixei navegar.
Você me disse querer ver o outro mundo
e eu te deixei viajar.
Você me disse que nunca voltaria
e eu te deixei voltar.
Você me disse que não mais partiria
e eu fui tolo em acreditar.
Agora você volta de asas quebradas,
sem lar, sem navio e sem passagem.
E eu?
O que faço agora que aprendi a voar sozinho?
Agora que pintei a casa de vermelho e branco,
agora que colei seus postais marítimos no painel do escritório,
agora que fui à Europa,
agora que deixei de acreditar,
agora que voltei pra mim,
agora que sou ateu.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Lost

Ando apressado por ruas que não conheço.
Recebo presentes celestes que eu bem sei não mereço.
Subo montes desesperado.
Bato em portas felizes e abraço gente que conhece
os meus olhos inevitáveis.
Telefono apressado para números que minha caneta esqueceu
de anotar.
Eu esqueço de amar.
Abro portas que não me convidam,
fecho contratos com a solidão.
Ando apressado por caminhos antigos,
encontro a pessoa da multidão,
digo sim e digo não.
Esqueço, vou embora, é tarde.
Entardece o dia em que o encontro me fez encontrar o escondido.
Chega a noite e eu saio pela janela,
eu saio de mim, eu saio de tudo e me perco.
Me perco sozinho, cansado do espetáculo de viver.
Me perco à cada minuto.
Ando perdido por caminhos novos,
atraído por novos neóns,
distante das velhas vitrines,
perto do mundo.