Como a velha senhora que partiu,
sempre tive o dom de prever acontecimentos.
Talvez, com ela o tenha aprendido,
ou, dela o tenha herdado.
Como ela, vejo sombras do passado
e lampejos do futuro breve.
Como ela, vislumbro o mar e ouço vozes.
Vozes de quem veio, vozes de quem foi,
vozes que vêm de dentro de mim.
Não, não sou milagreiro, não sou feiticeiro,
só tenho em mim o dom de ver.
Vejo o amanhã com a transparência do meu agora,
vejo o ontem como a luz fugaz do entardecer no
cais do porto.
Vejo rostos na multidão das avenidas desertas,
ouço a voz de quem ainda não veio.
Vejo coisas que Deus duvida,
mas, ainda não vi você.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Interiores
Você veio do interior
e eu nasci na cidade grande.
Você tem o sotaque de sua terra
e eu falo francês.
Você tem o sorriso franco
e eu raramente dou gargalhadas.
Você tem medidas que há muito
deixei esquecidas dentro de mim.
Você canta canções dos outros
e eu sou compositor.
Você estuda a química
e eu sou perito na física de dois
corpos ocupando o mesmo espaço.
Eu conheço o seu interior,
embora seja metropolitano.
Eu traduzo seus pensamentos,
embora você não os tenha em inglês.
Eu sorrio contigo,
embora você o faça prá me ver feliz.
Eu meço sua alma,
embora você a tranque na escrivaninha.
Eu escrevo músicas,
embora você não as saiba cantar.
Aprendo sua química prá que você seja físico,
quântico, real, do interior de mim.
(descaradamente inspirado em "Catavento e Girassol")
e eu nasci na cidade grande.
Você tem o sotaque de sua terra
e eu falo francês.
Você tem o sorriso franco
e eu raramente dou gargalhadas.
Você tem medidas que há muito
deixei esquecidas dentro de mim.
Você canta canções dos outros
e eu sou compositor.
Você estuda a química
e eu sou perito na física de dois
corpos ocupando o mesmo espaço.
Eu conheço o seu interior,
embora seja metropolitano.
Eu traduzo seus pensamentos,
embora você não os tenha em inglês.
Eu sorrio contigo,
embora você o faça prá me ver feliz.
Eu meço sua alma,
embora você a tranque na escrivaninha.
Eu escrevo músicas,
embora você não as saiba cantar.
Aprendo sua química prá que você seja físico,
quântico, real, do interior de mim.
(descaradamente inspirado em "Catavento e Girassol")
sábado, 3 de maio de 2008
ESCORPIÃO
Chega, bate à porta.
Abro, você entra devagar.
Te abraço e você retribui sorrindo.
Beijo e você corresponde.
Toco e você acende.
Se despe e eu ascendo.
Me abre o zíper e eu queimo.
A cama, outrora fria, é quente.
Seus braços, minhas pernas,
minha boca, sua saliva,
seu cheiro, meu suor.
Você abre, eu entro apressado.
Meu membro, seu prazer,
seu gemido, meu grito.
Meu líquido, seu gozo.
Não diz à que veio.
Morde, assopra e vai.
Abro, você entra devagar.
Te abraço e você retribui sorrindo.
Beijo e você corresponde.
Toco e você acende.
Se despe e eu ascendo.
Me abre o zíper e eu queimo.
A cama, outrora fria, é quente.
Seus braços, minhas pernas,
minha boca, sua saliva,
seu cheiro, meu suor.
Você abre, eu entro apressado.
Meu membro, seu prazer,
seu gemido, meu grito.
Meu líquido, seu gozo.
Não diz à que veio.
Morde, assopra e vai.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
SENSOS
Não tenho bom senso,
não tenho mal senso,
não tenho estratégias,
não tenho inveja.
Prefiro os que mentem aos que não dizem verdades.
Prefiro os que choram aos que não sabem sorrir.
Prefiro os que não dormem aos que não sabem sonhar.
Prefiro o silêncio às frases mal ditas.
Prefiro a agonia à calma fugídia.
Não tenho pesos.
Não tenho medidas.
Não tenho medo.
Não tenho feridas.
Prefiro as palavras sem rima aos poemas medidos.
Prefiro os que gritam aos que não sabem escrever nos olhos.
Prefiro os que calam aos que não sabem gritar.
Prefiro os que mostram aos que não sabem esconder.
Não tenho regras.
Não tenho réguas.
Não tenho tamanhos.
Não tenho sensos, bons ou maus sensos.
Não tenho censura.
Não tenho lisura.
Sou poeta pela natureza de ser canhoto,
pela avareza das palavras faladas,
pelo senso, pelo sentido sexto.
não tenho mal senso,
não tenho estratégias,
não tenho inveja.
Prefiro os que mentem aos que não dizem verdades.
Prefiro os que choram aos que não sabem sorrir.
Prefiro os que não dormem aos que não sabem sonhar.
Prefiro o silêncio às frases mal ditas.
Prefiro a agonia à calma fugídia.
Não tenho pesos.
Não tenho medidas.
Não tenho medo.
Não tenho feridas.
Prefiro as palavras sem rima aos poemas medidos.
Prefiro os que gritam aos que não sabem escrever nos olhos.
Prefiro os que calam aos que não sabem gritar.
Prefiro os que mostram aos que não sabem esconder.
Não tenho regras.
Não tenho réguas.
Não tenho tamanhos.
Não tenho sensos, bons ou maus sensos.
Não tenho censura.
Não tenho lisura.
Sou poeta pela natureza de ser canhoto,
pela avareza das palavras faladas,
pelo senso, pelo sentido sexto.
domingo, 27 de abril de 2008
Virgens
Virginianos nascem na primavera,
mas, nem por isso, suas vidas é um mar de rosas.
Virginianos são artistas,
talvez por isso sempre vivam na corda bamba.
Virginianos são precisos,
mas odeiam precisar.
Virginianos são felizes,
mas, nem por isso,
deixam de lado as suas dores imaginárias.
Virginianos são poetas
e, talvez, sejam loucos por isso.
Virginianos têm manias
que nenhum outro mortal consegue entender.
Virginianos amam ser amados
e amam intensamente.
Virginianos se acham perfeitos
e pecam por querer a perfeição dos outros.
Virginianos são libidinosos,
libertários, amantes da vida.
Virginianos querem o mundo,
mas, nem sempre sabem onde estão
os próprios pés.
Virginianos são como peixes que
se deixam fisgar pelos anzóis da vida,
mas, livram-se deles com a facilidade dos
pescadores do mar nórdico.
Virginianos são boas almas,
mas se torturam,
se roem,
se doem,
se machucam
e machucam sem querer.
Virginianos são setembrinos
mas nem por isso deixam escapar
os outros meses de seu calendário louco.
Virginianos dormem pouco por pensar demais.
Virginianos se acham os tais.
Virginianos têm o dom de iludir,
Mas, quase sempre acabam iludidos.
Virginianos amam como poucos,
vivem como loucos,
vivem vagando,
vivem chorando.
Virginianos são seres comuns
tentando bancar super heróis.
Virginianos são Michael Jacksons, Anas Carolinas,
Freddy Mercury e Arnaldos Antunes.
Virginianos têm sorte,
há sempre alguém no imenso zodíaco
que os ama profundamente,
que lhes pode ler a mente
e não os deixa naufragar.
mas, nem por isso, suas vidas é um mar de rosas.
Virginianos são artistas,
talvez por isso sempre vivam na corda bamba.
Virginianos são precisos,
mas odeiam precisar.
Virginianos são felizes,
mas, nem por isso,
deixam de lado as suas dores imaginárias.
Virginianos são poetas
e, talvez, sejam loucos por isso.
Virginianos têm manias
que nenhum outro mortal consegue entender.
Virginianos amam ser amados
e amam intensamente.
Virginianos se acham perfeitos
e pecam por querer a perfeição dos outros.
Virginianos são libidinosos,
libertários, amantes da vida.
Virginianos querem o mundo,
mas, nem sempre sabem onde estão
os próprios pés.
Virginianos são como peixes que
se deixam fisgar pelos anzóis da vida,
mas, livram-se deles com a facilidade dos
pescadores do mar nórdico.
Virginianos são boas almas,
mas se torturam,
se roem,
se doem,
se machucam
e machucam sem querer.
Virginianos são setembrinos
mas nem por isso deixam escapar
os outros meses de seu calendário louco.
Virginianos dormem pouco por pensar demais.
Virginianos se acham os tais.
Virginianos têm o dom de iludir,
Mas, quase sempre acabam iludidos.
Virginianos amam como poucos,
vivem como loucos,
vivem vagando,
vivem chorando.
Virginianos são seres comuns
tentando bancar super heróis.
Virginianos são Michael Jacksons, Anas Carolinas,
Freddy Mercury e Arnaldos Antunes.
Virginianos têm sorte,
há sempre alguém no imenso zodíaco
que os ama profundamente,
que lhes pode ler a mente
e não os deixa naufragar.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Verbos
Escrevo poemas que você não sabe ler.
Invento teoremas que você não consegue desvendar.
Te conto sonhos que, quisera, você soubesse interpretar.
Te levo prás ruas onde você não pode caminhar.
Entro em sua alma e você não sente o meu transportar.
Saber, conseguir, poder, sentir.
No princípio eram os verbos
e os verbos eram meus.
E os verbos estavam comigo.
E os verbos eram extensão de mim no infinito
do meu mundo.
Invento teoremas que você não consegue desvendar.
Te conto sonhos que, quisera, você soubesse interpretar.
Te levo prás ruas onde você não pode caminhar.
Entro em sua alma e você não sente o meu transportar.
Saber, conseguir, poder, sentir.
No princípio eram os verbos
e os verbos eram meus.
E os verbos estavam comigo.
E os verbos eram extensão de mim no infinito
do meu mundo.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Codinome
No início te chamava pelo nome.
Talvez por que, no início, só conseguisse ver seu rosto.
Depois te dei codinomes.
Talvez por que, nesse tempo, já tinha lhe enxergado a mente.
Hoje, não sei como te chamo.
Te conheço a alma.
Te conheço o corpo.
Te conheço a fala.
Te conheço no silêncio de dormir.
No início você era um estranho que encantava.
Depois você foi o encanto que me causava estranheza.
Hoje, não sei quem és prá mim.
Te dou codinomes, te chamo por nomes pelos quais
você me atende sorrindo.
Hoje, como nunca faço, olhei a lua cheia,
distante como sempre esteve.
No rádio tocava a canção que pedia prá prestar atenção
à distância entre o seu mundo e o meu.
Estacionei.
Desliguei o rádio.
Corri à sacada.
Olhei a lua e percebi que nunca pisarei em seu solo,
assim como nunca verei o vôo da ave cor de rosa.
Talvez por que, no início, só conseguisse ver seu rosto.
Depois te dei codinomes.
Talvez por que, nesse tempo, já tinha lhe enxergado a mente.
Hoje, não sei como te chamo.
Te conheço a alma.
Te conheço o corpo.
Te conheço a fala.
Te conheço no silêncio de dormir.
No início você era um estranho que encantava.
Depois você foi o encanto que me causava estranheza.
Hoje, não sei quem és prá mim.
Te dou codinomes, te chamo por nomes pelos quais
você me atende sorrindo.
Hoje, como nunca faço, olhei a lua cheia,
distante como sempre esteve.
No rádio tocava a canção que pedia prá prestar atenção
à distância entre o seu mundo e o meu.
Estacionei.
Desliguei o rádio.
Corri à sacada.
Olhei a lua e percebi que nunca pisarei em seu solo,
assim como nunca verei o vôo da ave cor de rosa.
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